A IDENTIDADE NARRATIVA DE PAUL RICOEUR[1]
O artigo de Paul Ricoeur
pretende resolver o problema da identidade pessoal – mas o que se quer
dizer com “identidade pessoal”?, como se pode responder à pergunta tão radical
com real “quem sou eu?”? A solução do filósofo francês é a que dá ao seu
título ao seu texto, i.e., A Identidade Narrativa («L’Identité Narrative»).
Como já havia feito, por
exemplo, no seu artigo sobre o mito[2],
em que discutia as teses e o método de Lévi-Strauss, Ricoeur procura aqui
também ultrapassar uma leitura que se quer total ou última do problema – neste
contexto o arguente escolhido foi Derek Parfit[3].
De facto, o filósofo da escola da fenomenologia e da hermenêutica vê mais no
mito do que uma estrutura fechada (relação entre os mitos e os seus mitemas
constituintes), tal como vê na identidade pessoal mais do que as alternativas
extremas entre um facto suplementar e uma continuidade física ou
biológica[4], sem
a hipótese de uma relação entre as duas.
O argumento parte
simultaneamente de dois paradoxos, a saber: aquele formado pela conjunção do ipse e do idem; o de se dizer “eu sou nada”. Com efeito, se o primeiro coloca
o problema em termos teóricos, de tal
modo que parece não haver solução
possível, o segundo formula-o de tal modo que parece ter que haver uma solução possível, em termos práticos. (No fundo, o que acontece é algo de semelhante ao
problema do tempo em Santo Agostinho, – quando não lhe perguntavam sobre o que
era o tempo, sabia o que ele era, mas quando lhe perguntavam directamente, não
sabia responder). Na medida em que a filosofia se deve comprometer com a vida,
na medida em que a fenomenologia e a hermenêutica se comprometem com o mundo e
o ser no mundo, Ricoeur propõe no texto em discussão uma solução que escapa aos
paradoxos entre o ipse e o idem e que não torne «vazia a
questão» “quem sou eu?”.
Um aspecto menor mas importante
de tal análise é a crítica feita ao método de Parfit, o da “ficção cientifica”;
esta funda-se sobretudo na possibilidade de um si-próprio sem o outro,
ou como diz Ricoeur, «outrem». Aqui, a tese ricoeuriana ganha dimensões éticas:
o si-próprio constitui-se na relação com a alteridade.
Num primeiro momento procura-se
definir qual o critério da identidade. Assim, o critério do mesmo
é aquele do idem; este é quádruplo. Logo, o mesmo diz-se do “uno”
– no sentido numérico, lógico –, do “semelhante”, da “continuidade” e da
“permanência no tempo”. O oposto do primeiro é a “pluralidade”, do segundo o
“diferente”, do terceiro a “descontinuidade” e do quarto a “diversidade”. A
continuidade, enquanto insere o problema do tempo, faz aparecer na permanência
o elemento do tempo – é o mesmo que permanece no tempo, que mantém a
identidade, como nos outros critérios; diz-nos Ricoeur que a permanência no
tempo, característica fundamental do ser humano[5],
do seu Dasein, ser no mundo ou ser com, cobre não só o território do eu-mesmo
(idem) como o do si-próprio (ipse). Esta coincidência é
finalmente a formulação do problema da identidade pessoal[6]:
é necessário saber o que permanece e saber se isso que permanece é o que
define o que ou quem somos, ainda, saber se isso nos pode
ser dado a conhecer.
O território da ipseidade,
ou do si-próprio, é aquele do agente. O que se procura saber é quem é
responsável; «Através disso, atestamos que a acção é a posse daquele que a
pratica, que é sua, que lhe pertence propriamente» – o modelo do ipse identifica-se
com a posse, aquilo que é realmente meu – daqui a questão, “eu
sou o quê?”, e a resposta, “aquilo que propriamente possuo”.
É nas teses de Parfit,
rigorosa, que Ricoeur parece ver os limites e, consequentemente as
possibilidades, de solucionar (ao menos em parte) o problema da identidade
pessoal. É na aporia do primeiro, na impossibilidade de se responder directa e
imediatamente à questão que o filósofo francês vê a necessidade de uma terceira
via, o conhecimento de si mediante uma interpretação de si e,
mais especificamente, pelo modelo da narrativa literária. Vejamos pois o método
e as teses do filósofo anglo-saxão.
Na descrição impessoal proposta
por Parfit não existe nada que me seja próprio, todos os objectos de
posse (os “quês”) que eu digo serem meus, propriamente,
poderiam não o ser. Assim, tal procedimento impessoal faz com que a pessoa não
pareça resistir – não consegue se definir porque não existe um quê com
que ela se identifique, e daí o desespero da resposta: “eu sou nada” (“não sou
nenhum quê” – mas sou sempre um quem). Enquanto procura um quê
para preencher o “conhecimento de si”, estamos no plano do idem; ao se
retirar todos os “istos” e “aquilos” que pertencem a um si, então, com
efeito, diz-nos Ricoeur: «só o Dasein é
meu, e mais geralmente um si próprio. As coisas, sendo dadas e manipuladas,
podem ser ditas minhas, no sentido da identidade-idem.» O que Parfit
pretende é que se torne impossível de decidir sobre o problema; para isso,
apresenta a identidade-idem de tal modo separada da identidade-ipse
que esta última fica reduzida a um facto suplementar, ou seja, aquilo
que se acrescenta como quem a todo o quê (à maneira do “eu penso”
kantiano, marca do “eu transcendental”). A ideia é, no fundo a seguinte: a
identidade-idem é contingente, e não interessa, e a identidade-ipse
é transcendental, razão pela qual não podemos falar sobre ela e responder sobre
ela – e é assim que Parfit pode dizer que «a identidade pessoal não é o que
interessa». Na hipótese primeira, a identidade-idem permite os embaraços
dos duplos, na segunda, a identidade-ipse não compreendida, não
se constitui enquanto conhecimento de si e, enfim, identidade pessoal.
Mas Ricoeur faz notar nisto uma contradição. Esta dá-se não a nível teórico
mas prático, real, e até mesmo desesperante: «a quem, a identidade deixa de importar? Quem é intimidado a
despojar-se da asserção de si-próprio, senão o si-próprio que foi colocado
entre parênteses em nome da metodologia impessoal?». O método de Parfit pode
tratar “aquilo mesmo que é tomado como meu” mas não “aquilo mesmo que é tomado
meu enquanto é tomando por mim”, i.e., enquanto reenvia, pelos “possessivos”,
a um quem. (É célebre o exemplo da pessoa que não conseguindo ver cores,
estudou todo o processo pelo qual nós vemos azul, vermelho, e restantes – mas
ainda assim ninguém tem dúvidas que esse conhecimento, exterior ou “impessoal”,
não faz com que ela veja o mundo a cores e que, portanto, saiba o que é o
amarelo, o verde ou as restantes.)[7]
Não somos o mundo mas somos com o mundo.
Pensamos que o argumento do autor de Reasons and Persons pode ser
entendido à luz da terceira antinomia da Razão teórica pura, de Kant. Se no
perguntarmo-nos “o que somos” temos duas hipóteses de resposta: uma “numenal”,
outra “fenomenal”. Na medida em que somos aquilo que propriamente possuímos,
devemos dizer que somos ou as nossas determinações exteriores – por exemplo, o
nosso código genético, o nosso corpo, etc – ou a nossa liberdade. Na primeira
resposta, o sujeito é tomado como objecto do mundo, como fenómeno; na
segunda como sujeito absoluto – no sentido de incondicionado, ou
seja, absolutamente livre (na acepção kantiana). Em conclusão, em nenhuma delas
é temos a solução de “quem eu sou” – as nossas determinações, por serem
exteriores, não são propriamente nossas, a nossa liberdade, enquanto se
confunde com o Acaso enquanto aquilo que não é determinado, não a sentimos propriamente
como nossa.
Eis o paradoxo: se é condição
necessária para se saber aquilo que é nosso isso mesmo que é nosso nos aparecer
como distinto e, se “aquilo que é meu não
ser distinto de mim mesmo é ( como parece ) condição necessário para que aquilo
que é meu seja aquilo que é meu”, como é que alguma vez nos pode ser
dado, ao jeito de um “telegrama” aquilo que sou?
A fenomenologia pretende
desfazer o paradoxo ao considerar cada pessoa como um ser no mundo, sendo que
essa subjectividade constituinte e inalienável não se confunde com o mundo mas
não é, ainda, sem ele[8].
Maurice Merleau-Ponty fala da liberdade nos termos de um sujeito que é
«motivado» (ao invés de “determinado”) e que «assume» as motivações numa
«situação». A pessoa vive e para isso precisa de agir sobre o mundo; é
sujeito ao mundo do mesmo modo que é sujeito do mundo e o mundo age sobre ele.
A tarefa da liberdade é assumir “esta” e “aquela” situação, ou seja, aquilo em
que o mundo nos motiva. Também Ricoeur tem, na sua tese da identidade
narrativa, este modelo que não dissocia o si-próprio da experiência da
alteridade – do «ser no mundo», do «ser com» como diz Ricoeur, com Heidegger.
Afinal, diz-nos Ricoeur, «a ficção narrativa não deixa de lembrar que ipseidade
e alteridade são dois existenciais correlativos.»
Existe outro aspecto que
gostaríamos de abordar, a saber, o argumento do duplo e o problema do “facto
suplementar”. De facto, a análise de Parfit parte da hipótese do duplo. É
talvez mal fundada a posição que diz que somos, cada um de nós, um “eu” na
medida em que qualquer outro “eu” não pode ter as minhas experiências,
privadas, mas apenas análogas e que, inexoravelmente, quando esse outro
“eu” diz viver esta ou aquela experiência, essa mesma experiência é dele e não minha. O ‘eu’ da frase
“eu vivo x”, dita pelo “outro eu”, é diferente daquele ‘eu’ da frase “eu vivo
x”, dita por mim; e isto ainda que (
absurdo ) x seja o mesmo em dois casos – i.e., considerando que os dois
sujeitos diferentes que se acrescentam a x, pela forma do “eu penso x”, por
exemplo, não modificam x, que é vivido.
A experiência mental que permite tal posição utiliza fundamentalmente o exemplo
do duplo: “existe um duplo de mim de
tal modo perfeito que em tudo ele é
igual a mim”; assim, todas as
experiências que eu tive ou tenho ele também teve ou tem – mais e
muito importante, essas experiências foram vividas no mesmo tempo e espaço que
o meu, sob a mesma perspectiva que a minha, com os mesmos sentimentos que os meus;
logo, todas as experiências minhas e as
do duplo são rigorosamente as mesmas, todo o x que se constitui como síntese
entre o que há e o modo de eu sentir é, em ambos, qualitativamente igual; o
“facto suplementar” que se acrescenta, diz-se, em nada altera a qualidade das
experiências (que diferenças encontrar entre sujeitos transcendentais? – se
houvesse seria possível dizer “é esta” ou “é isto” ), razão pela qual elas são iguais. Mas dizer que não existe
diferenças entre sujeitos transcendentais não é dizer que eles sejam os dois o
mesmo: um sou eu, outro és tu. Em conclusão, dizemos que os nossos
Mundos são iguais mas nós, nós somos diferentes.
Contra-argumento: a “hipótese
do ‘duplo’” parte do princípio que se pode distinguir aquilo que não é em nós
distinto, ou seja, que o “duplo” ou “eu próprio” possa perceber a diferença
ínfima mas radical que nos separa; ora, perceber tal coisa é, necessariamente,
uma experiência no sentido de uma distinção
que nos aparece – i.e., a razão pela qual podemos dizer que o “duplo” é
diferente é estarmos numa posição de observador relativamente ao “duplo”. O
argumento que diz que o “duplo”, com a experiência que tem, é livre, e daí diferente de mim pela potencialidade diferente
que tem em usar a experiência é falacioso – contradiz o próprio caso limite
ideal que é o exemplo do “duplo”; acrescentar que a diferença se dá não nos
resultados de livre escolha ( “experiências” ) mas nos seus processos, por nós
desconhecidos não resolve o problema – novamente, o duplo deve ser uma cópia
integral, e, a bem da experiência mental, mesmo os processos da livre escolha,
como outros, devem coincidir, ainda que na sua condição vaga e indistinta (e
tal coincidência não constitui, segundo Quine, um problema para a lógica ).
Em resumo, dizer que o conjunto
das minhas vivências são minhas e só minhas e é por isso que “eu sou eu” é
falacioso. Se “outro eu” vivesse iguais experiências, as mesmas, do mesmo modo,
com a mesma potencialidade, liberdade e sentimento de posse ( hipótese do duplo
), esse “outro eu” seria igual a “eu próprio”; mas se eu sou e se só distingo
em mim as minhas experiências, às quais acrescento, num postulado
transcendental, um “eu” sobre o qual nada posso dizer ( = distinguir ) – então,
a razão necessária para fazer diferença entre “eu próprio” e o “outro eu” não é
apontar diferenças sobre as experiências mas sim distinguir algo que não pode
ser distinto e postular a diferença transcendental entre um e outro ‘eu’, ou
seja, postular a diferença entre algo que não se pode diferenciar para concluir
que são diferentes.
O argumento do duplo ou se
contradiz na sua formulação ou é redundante – a premissa e a conclusão
coincidem. Esta linha de raciocínio serve para completar a anterior, acerca da
identidade-idem, na terceira antinomia da Crítica da Razão Pura;
se numa mostrou-se a inconsequência do si-próprio como as suas
determinações exteriores, agora mostrou-se a redundância do “facto
suplementar”, não só como inefável como incapaz de afirmar a diferença e, logo,
a individualidade do “si-próprio”, identidade-ipse, sem recorrer à
identidade-idem (o «excesso»).
Estas análises tiveram como
objectivo esclarecer as premissas, textuais – Ricoeur enquanto fenomenólogo e
hermeneuta e Ricoeur enquanto crítico de Parfit. Qual é pois a proposta do
filósofo francês. O modelo é apresentado com referência a uma passagem de
Proust em que se diz que um leitor lê-se, a si-próprio, numa dada obra de
ficção literária. Esse texto, recorrente na obra ricoeuriana, serve de mote à
tese da identidade narrativa: a leitura e a narrativa literária servem ao
conhecimento de si-próprio no sentido de uma apropriação[9],
ou seja, tornar próprio, tornar meu segundo os meus horizontes. A
narrativa permite uma identificação de uma personagem ao longo de uma
«intriga»: é pois, em primeiro lugar, na intriga que é necessário procurar a
mediação entre a permanência e mudança». É nesta tensão, da permanência que
recobre extensiva mas não intensivamente os espaços da identidade-idem e
da identidade-ipse que se constrói a personagem e o sujeito. Mesmo
quando a literatura nos figuras dilaceradas do sujeito, diz-nos Ricoeur: «não
nos interessaríamos por este drama da dissolução e não mergulharíamos por causa
dela na perplexidade, se o não sujeito não fosse ainda uma figura do
sujeito» – ainda existe um quem,
a questão não é neutra, existe uma pessoa.
Se, como nos diz Jonas, o
actuar é a condição da preservação e da identidade (no sentido de permanência)
da vida, então temos nas narrativas literárias o espelho dessa necessidade de
agir sobre reagir com o mundo – «as ficções são imitações – por mais errantes
ou aberrantes que se queiram – da acção, isto é, do que conhecemos já como
acção e interacção num ambiente físico e social.» Pelo contrário, no caso dos
exemplos de Parfit, o sujeito não é um sujeito de acção; o modelo é aí outro,
aquele da tecnologia e da equivalência assumida entre cérebro e pessoa – não
existe um outro ou um mundo («ambiente físico e social») correlativo ao sujeito
o que não lhe permite se constituir como pessoa e ser um quem.
A tese de Ricoeur é que a
identidade pessoal é mediada; que essa mediação resulta da impossibilidade de
um conhecimento imediato; que o conhecimento de si é análogo àquele feita à
personagem de uma narrativa literária, ou seja, uma interpretação de si.
«O conhecimento de si próprio –
a interpretação de si próprio, por sua vez, encontra na narrativa, entre outros
e símbolos, uma mediação privilegiada, fazendo da história de uma vida uma
história fictícia ou, se se preferir, uma ficção histórica.» Se a identidade
narrativa é uma ficção, ao menos que seja uma ficção eficaz, capaz de responder
ao imperativo socrático do “conhece-te a ti mesmo”, ou “a ti-próprio”. O facto
de uma pergunta não ter resposta (imediata, cabal) ou mesmo possibilidade de resposta, não faz
dela vazia mas simplesmente a torna Questão, fundamental. É preciso, diz
Ricoeur, que a identidade pessoal seja uma mediação: é isso que possibilita «um
si-próprio figurado – que se figura tal ou tal.», ou seja, não
definitivo, que possa apropriar-se do mundo, mudar e permanecer, nos
seus horizontes.
[1] Temos como
referência o primeiro dos dois textos de Ricoeur com esse nome – Ricoeur, Paul; «L’Identité Narrative»
in Esprit 7/8 (1988); 295-304. Lemos
o artigo pela sua tradução portuguesa: Correia,
Carlos João; «A Identidade Narrativa e o Problema da Identidade Pessoal. Tradução
comentada de "L’identité narrative" de Paul Ricoeur» in Arquipélago
7 (2000); pp. 177-194.
[2] Ricoeur, Paul;
«Mythe: l’interprétation Philosophique» in Encyclopaedia universalis,
vol. XV; Paris; Encyclopaedia universalis; 1992. A primeira versão é porém
de 1971 : «Mythe 3. L'interprétation philosophique» in Encyclopedia
universalis, XI, Paris 1971, pp. 530-37.
[3] «escolhi como
adversário rigoroso Derek Parfit, o autor da obra importante intitulada Reasons and Persons.»
[4] «o que contesto na posição de Parfit não é
tanto a coerência desta análise impessoal, mas a afirmação de que a única
alternativa contrária seria a de «um puro ego cartesiano» (...) identificado
ele mesmo a um «facto suplementar» distinto dos estados mentais e dos factos
corporais. É porque os estados mentais e os factos corporais foram previamente
reduzidos a acontecimentos impessoais que o si-próprio toma a aparência de um
facto suplementar.»
[5] «O tempo torna-se
tempo humano quando articulado por uma narrativa, e a narrativa atinge a sua
significação plena quando se torna condição da existência temporal.»
[6] «A minha tese, desde logo, é dupla: a primeira
é que a maioria das dificuldades que ocupam a discussão contemporânea sobre a
identidade pessoal resulta da confusão entre duas interpretações da permanência
do tempo, a segunda é que a noção de identidade narrativa oferece uma solução
às aporias referentes à identidade pessoal.»
[7] Correia, Carlos João; "Identidade Pessoal" in Philosophica
12 (1999); pp. 75-88.
[8] «as ficções narrativas permanecem variações
imaginárias em torno de um invariante, a condição corporal que se pressupõe
constituir a mediação inultrapassável entre si próprio e o mundo»
[9] «A mediação narrativa sublinha este carácter notável do conhecimento de si-próprio ser uma interpretação de si próprio. A apropriação da identidade fictícia pelo leitor é uma das suas formas.»