RICOEUR E A IDENTIDADE NARRATIVA
William Felippe de Souza
I
É
vastíssima a obra de Paul Ricoeur, mesmo no que toca apenas um determinado
tema, como o desta recensão – a identidade pessoal. O ensaio “L'identité
narrative”[1] será por isso utilizado como guia e fixador
de limites para os assuntos que irão ser aqui discutidas. Trata-se de um ensaio
conveniente para esse efeito uma vez que, como nos revela o autor, foi escrito
posteriormente aos três tomos de Temps et
Recit,[2] num momento em que tomou «consciência
das dificuldades consideráveis ligadas à questão da identidade enquanto tal»,[3] e consequentemente elaborou
uma defesa reforçada da identidade narrativa, tendo já em vista propor soluções
para algumas das dificuldades mais comuns nas discussões actuais sobre
identidade pessoal.
O ensaio
“Identidade Narrativa” começa portanto por relembrar as ideias de Temps et Recit. Se o conhecimento de si
próprio é uma interpretação, esta encontra na narrativa um meio privilegiado,
onde servindo-se de história e ficção é elaborada a ficção-histórica ou a
história-fictícia de uma vida – como as biografias dos grandes homens. De
seguida, face a algumas dificuldades comuns nas discussões sobre identidade
pessoal tal como a busca de um critério de permanência no tempo, o ensaio
propõe uma distinção que esclareça estas mesmas dificuldades – a distinção idem/ipse.
Finalmente, já munido desta distinção, confronta-se com as posições de Derek
Parfit[4] para melhor evidenciar
como a sua concepção de identidade narrativa consegue articular idem e ipse e assim dar conta das dificuldades.
Feita esta
apresentação sumária do ensaio, é agora lícito negligenciar sua mera
apresentação e passar directamente para a discussão de seus pontos mais
interessantes, um de cada vez, nas secções que se seguem.
II
Quando
Ricoeur voltou sua atenção para as discussões recentes sobre a identidade
pessoal encontrou o seguinte cenário: uma grande produção de literatura, em
particular entre os filósofos de tradição analítica, cujos temas remontam a
Locke – o “progenitor filosófico” deste tipo de questionamento na modernidade –
e a Hume. Em obras colectâneas como as de John Perry[5] e Amélie Rorty,[6] predominam investigações
que, confrontando o plano corporal com o psicológico, reelaboram e refinam
critérios para a identidade pessoal. De Locke «a tradição ulterior reteve a
equação entre identidade pessoal e memória»[7] e com ele «a era dos puzzling cases foi inaugurada»[8]; e com Hume surgiu a
«duvida e a suspeita [...] relativas à ideia de um si».[9]
Assim, as pesquisas desembocam num dilema: ou
juntam-se a Hume (e Nietzsche e outros) ao afirmar a identidade pessoal e a existência
de um si como ilusão; ou partem à procura de um substracto que permaneça apesar
do tempo, quer seja material, mental ou mesmo transcendental como o sujeito
kantiano. Mas esta busca pelo substracto, a alternativa mais positiva do
dilema, é ainda problemática pois orienta sua busca com um conceito “acrítico”,
digamos, de identidade. No seu modo de aproximação à questão da identidade
pessoal, muitos filósofos negligenciaram o conceito mais “discreto” de
identidade para passar directamente ao mais problemático e filosoficamente
atractivo conceito de pessoa. O problema então é que ao proceder desta maneira,
acabam por investigar o conceito de pessoa exigindo-lhe modos de identidade que
não se lhe aplicavam muito bem. Com o refinar de critérios, quaisquer que estes
sejam, apenas se aprofunda a busca pelo mesmo – aquele substracto último que se
mantém ao longo do tempo segundo as exigências do conceito “acrítico” de
identidade.
Quanto aos
filósofos que ultrapassam esta questão dos critérios, como Simon Blackburn e
Thomas Nagel, eles acabam por render-se face à impossibilidade de conseguir
dizer algo sobre isto que é ter uma identidade pessoal. O “facto suplementar”
que se acrescenta à descrição objectiva do mundo, isto é, o facto de que eu sou
um determinado “eu”, permanece misterioso; ou, numa linguagem mais kantiana, o
sujeito não pode conhecer-se a si porque é o próprio ponto de vista do
conhecimento.
III
Ora, esta
perplexidade à volta da possibilidade do conhecimento de si parece ser, não um
ponto final, mas um ponto de partida para Ricoeur. Os filósofos da tradição
analítica têm um certo modo de relacionar-se com a história da Filosofia –
separam-na muito do “exercício” filosófico propriamente dito, e com isso
parecem partir para as questões sempre “do zero”. Ricoeur pelo contrário,
enquanto francês e portanto “continental”, não só não procede desta forma,[10] como também insere seu
pensar em tradições[11] elas próprias
historicamente ricas.
Estas
tradições são principalmente a fenomenológica e a hermenêutica. Deixando por
agora de lado a hermenêutica, na fenomenologia apenas conseguimos encontrar já
muitas raízes: «a fenomenologia continua o transcendental kantiano, o
originário humeano, a dúvida do Cogito cartesiano; ela não representa de forma
alguma uma brusca mutação da filosofia.»[12] Deste modo, que sentido teria para Ricoeur
ressuscitar de repente uma questão de Locke e abordá-la sem perspectivá-la
historicamente, apenas com seu “superior” poder de análise? É nessa medida,
acompanhando as mutações da questão pela tradição (em Hume, Kant, Husserl, e
também Heidegger), sem rupturas, que Ricoeur tem na questão da possibilidade do
conhecimento de si não seu ponto de chegada mas
o de partida.
Na análise
ricoeuriana não temos portanto, como nos filósofos analíticos, um aproximar das
questão da identidade pessoal que encontra em cada ensaio ocasião para erguer
um novo, embora modesto, modelo conceptual explicativo do problemas. Temos sim
um enorme legado que é trabalhado e enriquecido.
É possível
ver isso mesmo na questão do conhecimento do sujeito pelo sujeito que, vinda de
Kant, e transformada em Husserl e Heidegger, chega a Ricoeur por via da
distinção que acabará por fazer toda a diferença na discussão. A distinção
entre ipseidade e mesmidade é herdeira de duas distinções
anteriores: [13]
a de Husserl, entre corpo próprio(Leib)
e corpo neutro e objectivado (Körper);
e a de Heidegger, entre a experiência de si próprio (Selbstheit) e o que é neutro e manipulável (Vorhanden/Zuhanden).
Porém,
antes mesmo desta distinção, que como já foi dito é elaborada a propósito de
uma nova defesa da identidade narrativa face ao panorama das discussões sobre
identidade pessoal, já Ricoeur havia acrescentado ao seu pensar fenomenológico
uma dimensão hermenêutica através da ênfase na inescapável mediação da
linguagem. Com isso, antes mesmo de trabalhar a ipseidade e mesmidade, já
a concepção de identidade narrativa havia surgido numa primeira formulação,[14] derivada de investigações
sobre a hermenêutica do sujeito e a percepção do tempo.
Com isto
obtém-se alguma compreensão das diferentes bases a partir das quais partiu
Ricoeur para a questão da identidade pessoal.
IV
Positivamente
portanto, a concepção de Ricoeur emana destas bases pelo menos desde «Existence
et Herméneutique»,[15] onde aprofunda a transformação da
fenomenologia husserliana feita por Heidegger ao discutir sua análise da
intratemporalidade. Face a esta, dá-se em Ricoeur um aumento da dimensão
hermenêutica com a chamada «via longa». É isso que inspira seus muitos trabalhos
sobre a interpretação onde pensa o “compreender” como conhecimento, mas também
como alteração no modo de ser de aquele que compreende: «a interpretação de um
texto completa-se na interpretação de si dum sujeito que doravante se
compreende melhor, se compreende de outro modo, ou que começa mesmo a
compreender-se.»[16]
É neste
horizonte teórico que as teses acerca da identidade narrativa começam a fazer
sentido. O presente das acções e dos eventos ganha um contexto humano pelo
discurso narrativo. A narrativa retracta o homem enquanto agente[17] em circunstâncias que não
criou, orientando-se ali, no tempo do “agora
que...” no qual o homem encontra-se simultaneamente lançado e responsável. Trata-se
do presente da intervenção, que articula o mundo e o sujeito (agente), e é bem
distinto do instante matemático.
A
narrativa é então uma estrutura da linguagem que tem a temporalidade como
referência – diz implicitamente a verdade da intratemporalidade. É por isso que
ela constitui um meio privilegiado para a compreensão de si de um sujeito. As
personagens da literatura são compreendidas pela forma como os enredos conectam
o que acontece a elas, suas ambições e projectos, e o que eles realmente fazem.
Do mesmo modo o sujeito dá sentido à sua identidade pessoal ao contar uma
história sobre sua própria vida. Em nenhum dos casos a identidade consiste numa
estrutura ou substância fixa.
A
identidade enquanto ipseidade de um quem vivo está estruturada temporalmente
conforme ao modelo de identidade dinâmica presente na narrativa. A forma
narrativa é capaz de articular acontecimentos factuais e experiências
interiores, e “poeticamente” integrar o diferente no igual, “alteridades”
temporais numa ispeidade dinâmica –
incompatível com as exigências lógicas da mesmidade.
Isso explica como é que a identidade como ipseidade,
ao contrário da mesmidade, pode
incluir a mudança e a mutabilidade na coesão de uma vida.
Este
perspectivar da ipseidade através da
narrativa torna-se pois importante ao transformar o sujeito num leitor e
escritor de sua própria vida. A dimensão narrativa da constituição do si está
no enriquecimento conseguido por este desvio para o personagem de ficção que
pela leitura fornece um feedback para
a ispeidade do leitor. O
identificar-se com personagens encaminha o “eu narcisista” para o “si
instruído”. «O interesse humano pelas ficções, [...] traduz o desejo de
encontrar o espelho necessário susceptível de permitir um reequacionamento da
nossa vida.»[18]
«Sobre
o trajecto da aplicação da literatura à vida, o que transportamos e transpomos
na exegese de nós mesmos é a dialéctica do ipse
e do idem. Nela reside a virtude
purgativa das experiências do pensar postas em cena pela literatura, não apenas
no plano da reflexão teórica, mas sobre o da existência.»[19]
A
concepção de identidade narrativa de Ricoeur portanto, para além de superar as
aporias e o dilema da identidade pessoal como ilusão ou substracto através da
identidade dinâmica da ispeidade,
consegue ainda explicitar melhor esta valiosa função suplementar da literatura
enquanto instrumento para o conhecimento de si. Não é por acaso que de entre
todas as obras literárias a mais frequentemente citada é a de Proust, no
momento exacto em que o narrador toma consciência desta mesma função.[20]
V
Importa
inspeccionar agora brevemente, pela negativa, os adversários teóricos de
Ricoeur sobre o problema da identidade pessoal. Já é evidente o modo como
muitos ficam aquém da concepção de identidade narrativa avançada por Ricoeur,
ao não serem capazes de superar as aporias já referidas em relação ao
substracto temporal: autores como Grice, Quinton e Perry[21],
que trabalham no refinar de critérios para a identidade pessoal, revelam-se
“acríticos” quanto ao conceito de identidade e continuam na busca de um o que ao invés do quem da ipseidade.
E que dizer de Parfit, o adversário «rigoroso» escolhido por
Ricoeur para um confronto por ser quem mais radicalmente «extrai todas as
consequências de uma metodologia que só autoriza uma descrição impessoal dos factos provenientes, seja
de um critério psicológico, seja de um critério corporal da identidade.»[22] O
que há que dizer sobre Parfit resume-se ao seguinte: se Ricoeur rejeita a busca
de critérios por esta estar restrita à mesmidade,
rejeita as teses de Parfit pela forma como estas negligenciam a ipseidade.
Mas para compreender a crítica de Ricoeur ao autor que defende
que «A identidade pessoal não é o que importa»[23]
convém lembrar a já referida herança husserliana e heideggeriana da distinção idem/ipse.
Identificar quem é bem diferente de
identificar o que, porque o que remete para o objectivo e neutral,
enquanto que quem remete para o corpo
e a experiência de si próprio.
Com isso, obtemos que os puzzling
cases, com os quais Parfit tenta reduzir a identidade pessoal a uma questão
vazia, «são variações imaginativas que fazem aparecer como contingente a
própria invariante de uma hermenêutica da existência.»[24]
Isso é feito pensando a identidade como «a mesmidade
desta coisa, desta entidade manipulável, o cérebro»[25],
justamente uma parte física do corpo que o sujeito não sente, com a qual
portanto não tem uma relação fenomenológica. «Uma análise impessoal da
identidade aparece, assim, dependente de um sonho tecnológico no qual o cérebro
foi assumido como o equivalente substituível da pessoa.»[26]
E mesmo para além dos puzzling
cases, o próprio projecto ético defendido por Parfit, a propósito do qual
ele discute a identidade pessoal, pode ser criticado. Parfit pretende
desenraizar a moralidade das teorias do «interesse próprio» e é por isso que
ataca o estatuto ontológico de pessoa – «A identidade pessoal não é o que
importa»[27]
é uma tese que resulta deste projecto. O problema é o seguinte: «O que a
reflexão moral de Parfit provoca, é finalmente uma crise interna à ipseidade»,[28]
«pois enfim, como perguntar-se sobre o
que importa se não se pode perguntar a
quem a coisa importa ou não?»[29]
Afinal, pergunta Ricoeur, será necessária esta revisão
ontológica tão contra-intuitiva? Afinal «[...] um momento de despossessão [dépossession] de si não é essencial à
autêntica ipseidade? E não é
necessário, para se tornar disponível, pertencer-se de algum modo? [...] Se a
minha identidade perdesse toda a importância em todos os sentidos, a
[identidade] do outro não se tornaria, ela também, sem importância?»[30]
VI
Enfim, no
termo desta inspecção dos pontos mais interessantes da concepção de identidade
narrativa de Paul Ricoeur, regida pelo guião do ensaio “L’identité narrative”,
que avaliação resta fazer?
Desde logo Ricoeur, mesmo com toda a carga teórica implicada em
sua análise dos problemas, consegue ainda assim ser quem mais claramente se
aproxima do que intuitivamente aceitamos sobre a identidade pessoal.[31]
Por esta razão não só oferece a tese mais apelativa, mas também torna suas
rivais “extravagantes”. À luz de Ricoeur a insistência de um Galen Strawson por
exemplo, que, em trabalhos muito recentes, não só persistiu na busca de
critérios para a identidade pessoal,[32]
mas também escreveu mais directamente Contra
a Narratividade,[33] torna-se muito
extravagante...
Para além disso, a identidade narrativa considerada no interior
do pensamento ricoeuriano revela-se lugar de cruzamento entre a teoria da
interpretação, a filosofia da acção, a ontologia e a ética. Com a identidade
narrativa, Ricoeur consegue envolver na sua hermenêutica praticamente todas as
facetas da condição linguística da existência humana.
E finalmente, tal como Lévinas, Paul Ricoeur pensa o primado ético do outro, «a
irrupção do outro, fracturando o claustro do mesmo»,[34] e a disponibilidade para
o esse outro: uma ipseidade em
contraste com o orgulho estóico da constância de si.
[1] in Esprit
7/8 (1988) 295-304, Trad. portuguesa CORREIA, C. J. [Uma vez que consegui
este texto pela internet, e imediatamente alterei seu tamanho de letra, etc.,
não tenho já uma paginação comum a partir da qual possa citar com o rigor.
Terei portanto que citar o ensaio de Ricoeur sem referência a páginas].
[2] RICOEUR, P., Temps et Récit I,II e III, Ed. du Seuil,
(I)1983, (II)1984, (III)1985.
[3] RICOEUR, P., “Identidade Narrativa”.
[4] PARFIT, D., Reasons and Persons, Oxford University
Press, 1986.
[5] PERRY, J. (Ed.), Personal Identity, University of
California Press, 1975.
[6] RORTY, A.
(Ed.), The Identities of Persons,
University of California Press, 1976.
[7] RICOEUR, P., Soi-même comme un autre, Ed. du Seuil,
1990, p. 150.
[8] Ibid., 152.
[9] Ibid., 152-3.
[10] Veja-se a primeira parte do tomo I de Temps et Récit, onde as teses vão sendo
construídas ao longo de riquíssimos comentários a Agostinho e Aristóteles.
[11] Há um momento útil para saber em que
tradições se insere Ricoeur por suas próprias palavras em CHANGEAUX, J.-P. e RICOEUR, P., O Que Nos Faz Pensar ?, Edições 70,
1998, p. 10.
[12] RICOEUR, P., A l’école de la phénoménologie, Paris,
Vrin, 1980, p 8.
[13] Ver RICOEUR, P., “Identidade Narrativa” e
nota 14 do tradutor.
[14] Nas conclusões de Temps et Récit III.
[15] RICOEUR, P.,
«Existence et Herméneutique», 1965.
[16] RICOEUR, P., Do Texto à Acção, Rés-Editora, Porto, 1986, p. 155.
[17] O que implica toda uma filosofia da acção
por parte de Ricoeur, originada talvez por algumas considerações de inspiração
heideggeriana em ARENDT, H., The Human
Condition, University of Chicago Press, 1958, Parte V, capítulo 24, e
elaborada em RICOEUR, P., Soi-même comme
un autre, Ed. du Seuil, 1990, terceiro e quarto estudos.
[18] CORREIA, C. J., “Identidade Pessoal” in Philosophica nº 12, 1998, p. 87.
[19] RICOEUR, P.,
“Identidade Narrativa”
[20] PROUST, M., Le temps retrouvé, Pléiade III,
p.1033.«[...] pensava
[...] no meu livro e [...] naqueles que o leriam, nos meus leitores. Pois eles
não seriam os meus leitores, mas os próprios leitores de si mesmos, sendo o meu
livro uma espécie dessas lentes ampliadoras [...]; o meu livro graças ao qual
eu forneceria o meio de ler neles mesmos»
[21] Ver seus artigos em PERRY, J. (Ed.), Personal Identity, University of
California Press, 1975.
[22] RICOEUR, P., “Identidade Narrativa”
[23] PARFIT, D., Reasons and Persons, Oxford University
Press, 1986, p. 216-7.
[24] RICOEUR, P., “Identidade Narrativa”
[25] Ibid.
[26] Ibid.
[27] PARFIT, D., Reasons and Persons, Oxford University
Press, 1986, p. 216-7.
[28] RICOEUR, P., Soi-même comme un autre, Ed. du Seuil,
1990, p. 166.
[29] Ibid.
p. 165.
[30] Ibid.
p. 166
[31] RICOEUR, P., “Identidade Narrativa”. «Que a
narratividade oferece aqui uma solução alternativa, isso já está pressentido,
ou se se quiser pré‑compreendido na maneira como falamos na vida
quotidiana da história de uma vida.»
[32] STRAWSON, G., “The
Self and the SESMET” in Models of the
Self, 1999, pp. 483-518.
[33] STRAWSON, G.,
“Against Narrativity” in Ratio, XVII
4 Dezembro 2004. O
ensaio culmina com a frase «We live [...] beyond any tale that we happen to
enact.» p. 450., o que não é necessariamente incompatível com a identidade
narrativa.
[34] RICOEUR, P., Soi-même comme un autre, Ed. du Seuil,
1990, p. 198.